O futuro difícil do novo presidente

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As altas temperaturas da campanha presidencial têm colocado em segundo plano um fator, se não de instabilidade, ao menos de grande dificuldade para quem quer que seja eleito em 28 de outubro: a fragmentação partidária.

Nada menos que 30 legendas terão representação parlamentar na Câmara dos Deputados a partir de 2019. Em 2014 eram 25. O índice de renovação é de 52%, o maior em duas décadas, inferior apenas aos registrados nas eleições de 1990 (62%) e 1994 (56%).

Como agora, naqueles anos os brasileiros também foram às urnas movidos por um sentimento difuso de mudança que fez estragos à direita e à esquerda.

A pulverização de siglas no Congresso tem dois efeitos imediatos: a ampliação do campo fisiológico, já que dificilmente outro parâmetro poderá nortear as decisões de um arco tão vasto de agremiações, sobretudo as de pequeno porte; e os obstáculos que qualquer presidente terá pela frente a fim de construir consensos.

E aqui começam os problemas. Fazer aprovar plataformas desgastantes ou medidas impopulares cuja votação dependa do quórum máximo da Câmara vão se tornar uma tarefa árdua ao gestor da vez. A reforma da Previdência, por exemplo. Ou a revogação do teto de gastos instituído pelo presidente Michel Temer (MDB).

Como as forças majoritárias do Legislativo e os partidos tradicionais irão dividir espaço com “nanicos”, é natural que haja uma disputa mais acirrada pelo comando das comissões.

Segunda maior bancada da Câmara, com 52 eleitos, o PSL começa a reivindicar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), posto crucial não apenas no funcionamento da Casa.

A própria chefia da Câmara estará em jogo. Os últimos anos ensinaram que, a depender de quem ocupe essa cadeira no ano que vem, o inquilino do Palácio do Planalto terá uma vida mais ou menos acidentada.

No Senado, a casa revisora, a situação não é diferente. Lá, o furacão que atravessou as eleições no dia 7 de outubro alargou o número de partidos com assento: de 15 para 20.

Das 54 vagas abertas no Senado neste ano, 46 serão preenchidas por novos parlamentares. Na Câmara, são 267 deputados de primeira viagem de um total de 513.

Ao alto grau de renovação congressual, soma-se a incerteza que cerca essas novas caras. Estarão mais alinhadas à direita, ao centro ou à esquerda? Ou, como têm se comportado Câmara e Senado historicamente, vão flutuar ao gosto dos ventos que soprem do Planalto?

Num cenário nebuloso, resta uma certeza, somente: vença quem vencer, nada faz crer que o presidente terá a vida facilitada por esse novo Congresso.

 

Com Informações do Editorial do O POVO

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