Desgaste psicológico leva artistas e influenciadores digitais a se afastarem das redes sociais

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Em um mundo super conectado pelas redes sociais, é comum notar o alto número de usuários que apresentam sintomas de depressão e de ansiedade. O potencial adictivo do uso das redes sociais pode levar o usuário a uma situação de vulnerabilidade psicológica. E para quem trabalha com essa conectividade, as consequências tendem a se tornar mais graves.
Divulgada em novembro de 2018, uma pesquisa feita por cientistas do Departamento de Psicologia da Universidade da Pensilvânia (EUA), com 143 estudantes, constatou que a diminuição do tempo de uso das redes sociais leva a consideráveis reduções de depressão e solidão.
Apesar de parecer estranho afirmar que a redução do tempo em mídias sociais faz com que diminua a sensação de solidão, a pesquisa observa que a maioria das publicações sugere uma intensa comparação entre a vida alheia e a própria experiência do usuário.
Na última sexta (9), o Padre Fábio de Melo decidiu abandonar sua conta no Twitter. “Tenho uma saúde emocional a ser cuidada. Sei o quanto já provei a solidão provocada pela depressão, pelo pânico. Tomar remédios só faz sentido quando evitamos os gatilhos dos desconfortos. Este lugar deixou de ser saudável para mim”, disse ele, que falava, desde 2017, sobre o tratamento de suas crises psíquicas. 
O padre não foi o único que, nos últimos tempos, preferiu aproveitar um tempo offline para repor as energias. Whindersson Nunes é um dos maiores youtubers do Brasil, com 36 milhões de inscritos no canal do Youtube, 20 shows por mês, um programa na Multishow e trabalhos no cinema. 
Toda essa sobrecarga levou Whindersson a ser diagnosticado com depressão e “síndrome de burnout” (esgotamento por conta de excesso de trabalho), como ele mesmo reconheceu em uma publicação no Instagram. 
“Hoje eu posso dizer que estou ficando muito bem, estou fazendo terapia, minha mulher está me ajudando muito, porque mês passado, meu amigo, não desejo a ninguém. Eu estava trabalhando demais. A gente tem metas e quer bater, mas às vezes a gente se atropela e eu entrei numa paranóia muito grande”.
Tóxico
Kéfera
Já a também youtuber Kéfera foi um pouco mais radical. Com mais de 11 milhões de inscritos, ela decidiu parar de gravar vídeos para seu canal do Youtube por tempo indeterminado e, em uma entrevista para o Canal GNT, explicou os motivos que a levaram a fazer isso. 
“A Internet é um meio que já foi bem legal para mim, mas eu descobri que hoje em dia é muito mais tóxico. As pessoas perderam total a noção do que é essa coisa de liberdade de expressão, o que é um comentário e o que é uma ofensa que pode te botar na m****”.
Iorc
Também afastado por mais de um ano dos palcos, do público e das redes sociais, o cantor Tiago Iorc anunciou pelo Instagram seu retorno à cena musical com o lançamento do novo álbum visual “Reconstrução”. As 13 faixas que o compõem formam, à primeira vista, uma história linear sobre a construção de um relacionamento. Porém, é possível interpretar “Reconstrução” como uma metáfora para o distanciamento do artista.
A letra da música “Desconstrução” faz uma crítica direta às redes sociais e como elas podem ser perigosas para a saúde mental. Trechos como “Ela era só uma menina/ Ninguém notou a sua depressão/ Seguiu o bando a deslizar a mão/ Para assegurar uma curtida” ilustram a superficialidade da vida nas redes sociais, segundo o artista.
Diário do Nordeste
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