Equipe cearense leva pele de tilápia para tratamento de animais feridos em queimadas no Pantanal

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Uso similar do curativo biológico já foi feito em leão e urso com pata queimadas em incêndios na Califórnia, em 2018

Os curativos biológicos feitos a partir da pele de tilápia serão levados por uma equipe de pesquisadores cearenses do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ) para tratamento de animais feridos em queimadas no Mato Grosso. A equipe formada por biólogo, médica veterinária e enfermeiro leva 130 amostras do material nesta terça-feira (6) e deve realizar treinamento com os profissionais do local para aplicação e acompanhamento dos bichos.

Animais ameaçados de extinção como a anta brasileira, o tamanduá bandeira e o veado catingueiro estão entre os afetados pelo fogo que consome a região Pantanal. “Já temos uma noção de que existem 30 animais com possibilidade de aplicação dos curativos. A ideia é que a gente vá, aplique, e a equipe de lá vai fazer todo o manejo e aplicando em mais animais que possam vir a chegar”, explica o biólogo e coordenador da equipe, Felipe Rocha.

Os feridos são recebidos pelo Centro de Medicina Veterinária e Pesquisa em Animais Silvestres (Cempas) da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso. A instituição pediu os curativos biológicos na última quinta-feira (1º) como forma de recuperar e dar maior qualidade de vida aos bichos socorridos. A organização Ampara Animal contribui no processo de acolhimento dos animais.

“A gente do projeto fica extremamente satisfeito e feliz de ajudar nesses incêndios do Pantanal, sabendo que isso vai ser, para os animais que estão sofrendo, de grande valia. Uma vez que também há sobrecarrega de atendimento e essas membranas biológicas quase não existem no mercado veterinário porque são muito caras”

Felipe Rocha explica que, na prática, a tecnologia permite a recuperação mais rápida dos animais e diminui a exposição dos ferimentos. “O curativo biológico tem uma rica quantidade de colágeno que vai ser ideal para o processo de cicatrização e não tem troca diária de aplicativo, o animal fica com o curativo por 10 a 12 dias. Isso impede a perda de líquidos do animal e a pele da tilápia protege contra infecções”, acrescenta.

As peles passam por um processo de desidratação, irradiação e são embaladas à vácuo. Caso seja necessário, como completa o biólogo, podem ser enviados outros curativos biológicos para a equipe de Cuiabá. Também participam da iniciativa a médica veterinária Behatriz Odebrecht Costa e o enfermeiro Francisco Raimundo Silva Júnior.

Diário do Nordeste

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