Instituto Maria da Penha lança campanha digital contra a violência psicológica

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Para psicóloga, a ação nas redes sociais busca democratizar a discussão.

O Instituto Maria da Penha lançou, no último dia 25 de novembro, uma campanha virtual em combate à violência psicológica sofrida por mulheres. O perfil @agressornãotemperfil, no Instagram, utiliza de frases ditas em relacionamentos abusivos como forma de chamar atenção aos sinais da violência, além de promover dicas e vídeos de alertas com especialistas sobre o tema.

A campanha é parte do reforço para evidenciar indícios de violência entre os dias 25 de novembro, quando é celebrado o Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres, e 10 de dezembro, data em alusão ao Dia Internacional dos Direitos Humanos.

“Inicialmente, o instagram surgiu com o intuito de concentrar esses conteúdos de maneira mais objetiva e organizada. [Após os 16 dias] Esperamos que ele obtenha um alcance significativo para continuar sendo um canal para iniciativas e campanhas que tenham o mesmo objetivo esclarecedor e de conscientização”, diz Stéfanie Campelo, uma das colaboradoras da ação.

Campanha

Entre as frases que compõem a ação relacionada à violência psicológica estão: “Ele tem a minha senha porque não tenho nada a esconder” e “Ele me ama, por isso implica com as minhas roupas”.

A psicóloga e voluntária na ação, Thaís Sousa, avalia que o abuso psicológico deve ser discutido tanto quanto a violência física. “A violência psicológica pode reverberar por anos a fio na vida de uma pessoa. Precisamos trazer à tona a violência velada, aquelas enraizadas na nossa sociedade e que corroboram com esse abuso psicológico, relacionamentos tóxicos”, coloca.

Conforme uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Nudem) da Defensoria Pública-Geral, em Fortaleza, entre janeiro e novembro de 2019, com 573 mulheres atendidas pelo órgão, 562 afirmaram ter passado por situações de violência psicológica.

A profissional participou da campanha com um vídeo de orientação e esclarecimentos sobre a chamada rede de apoio. “Todo mundo conhece alguém que passa por esse tipo de abuso, mas nem todos sabem como agir diante dos fatos. Às vezes, ao tentar ajudar aquela vítimas, acabamos por puni-la, o que faz com que ela disfarce a situação em um momento de desabafo, por exemplo”.

“Eu quero falar com quem se importa em denunciar e identificar relacionamentos em que uma das partes sofre abuso psicológico. O objetivo é que essas pessoas comecem a agir de forma mais focada e eficaz para ajudar”, complementa.

Para a psicóloga, a ação nas redes sociais busca democratizar a discussão sobre o assunto para essa chegue ao conhecimento de quem sofre com o tipo de abuso. “A ideia é que a mulher repense algumas práticas naturalizadas, em que frases, proibições e outras tantas formas de repreensão também estão no espectro da violência. Isso pode fazer com que essas mulheres repensem determinadas práticas com consequências não tão nítidas para elas”, pontua.

A profissional menciona que há algumas formas de identificar o abuso, uma delas é a sondagem e o autoquestionamento. “Mudei demais? Lembro de uma época que eu já fui mais segura? Estou constantemente pedindo desculpas? Estou o tempo todo vigilante sobre meus passos? Eu sou espontânea? Quais as suas emoções mais frequentes em relação ao seu parceiro? Dependendo da resposta, esse tipo de indício pode sim indicar que você tem sido vítima de uma violência psicológica, ainda que o agressor pareça uma pessoa incrível, agressor não tem perfil”.

Diário do Nordeste 

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