Raquel Dodge: quem é a mulher que vai comandar a Lava Jato?

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A subrocuradora-geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge, segundo lugar na lista tríplice de 2017, foi a escolhida para o cargo de procuradora-geral da República (PGR) por Michel Temer. O presidente quebrou tradição de 14 anos ao escolhê-la, em vez de optar pelo primeiro colocado Nicolao Dino. Enquanto Nicolao é ligado ao atual PGR, Rodrigo Janot, Raquel tem um perfil bem diferente do antecessor. Após passar por sabatina no Senado, Raquel deve assumir o título em setembro. Ela será a primeira mulher a comandar a PGR.

Esta foi a segunda vez que a procuradora compôs a lista tríplice. A lista é composta com base nos votos de 1.300 procuradores, que escolhem três nomes para sugerir ao Executivo. Em 2015, ela havia ficado em terceiro lugar. Neste ano, Raquel subiu uma posição e teve apenas 34 votos a menos que Dino, que ficou em primeiro.

Nascida em Goiás, Raquel era a candidata com mais tempo de atuação no Ministério Público Federal na lista tríplice. Nos 30 anos de MPF, ela atuou principalmente em Brasília. Graduou-se pela Universidade de Brasília (UnB) e é mestre pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde cursou o programa de direitos humanos.

De acordo com Raquel, as prioridades do Ministério Público devem ser a promoção de igualdade e direitos humanos. Ela escreveu artigos sobre Objetivos do Milênio da ONU e a Procuradoria brasileira. Também atuou como perita em casos de escravidão.

Para ela, o combate à corrupção é uma prioridade como todas as outras áreas. Em entrevistas antes do resultado da lista tríplice, ela se comprometeu a aperfeiçoar e continuar o trabalho da Lava Jato. A procuradora participou de casos como “mensalão do DEM”, em Brasília. Atuou na Operação Caixa de Pandora e, em primeira instância, na equipe que processou criminalmente Hildebrando Paschoal e o Esquadrão da Morte.

Segundo colunistas de Brasília, ao contrário de Janot, Raquel teria uma boa relação com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, crítico do que considera “excessos” do MPF na Lava Jato.

Em sua atuação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM), foi autora de medida que limitava a cessão de procuradores em até 10% para exercer outras atividades, como compor a força-tarefa da Lava Jato. Foi criticada por isso, mas atendia a pedido de procuradores estaduais que se sentiam prejudicados com a baixa de pessoal. A expectativa é de que ela faça mudanças estruturais na condução da Lava Jato.

A tradição de formação da lista tríplice iniciou-se em 2001. Segundo a Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR), “trata-se de um processo que atende ao clamor dos procuradores da República de indicar aquele que acreditam ser o mais preparado para gerir a instituição”.

De 2001 até agora, a lista tríplice para o cargo de Procurador-Geral da República só não foi acatada em sua primeira edição. A partir de 2003, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, passou a reconhecer e prestigiar a escolha dos procuradores da República para o cargo de chefe do órgão.

 

O Povo

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