Professor Hermeson Veras disponibiliza aula 4 com dicas de preparação para o Enem

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O Professor de Língua Portuguesa e Redação, Hermeson Veras, disponibiliza nesta quarta-feira, 28, a aula 4 sobre os Principais erros na interpretação de textos, iniciativa que visa ajudar estudantes que irão prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2017. Revise a aula 01(AQUI), a 02 e 03 (AQUI).

AULA 04 – PRINCIPAIS ERROS NA INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

Durante a leitura, principalmente, em exames vestibulares, o tempo e o desconhecimento são nossos maiores inimigos, e isso se deve ao fato de as deficiências na habilidade leitora serem uma constante do alunado brasileiro. Em face disso, uma justificativa plausível seria a falta do hábito de ler somado a fatores específicos que serão listados neste encontro. Logo, com o objetivo de melhorar a competência leitora, abordaremos, nesta aula, os principais desvios de interpretação e o que se deve fazer para evitá-los.

1. CONTRADIÇÃO

Artimanha do produtor textual que, pela desatenção do leitor, provoca o entendimento de ideia contrária a que se acabou de expressar. Por algum motivo – uma leitura desatenta, a não percepção de algumas relações, a incompreensão de um raciocínio, o esquecimento de uma ideia, a perda de uma passagem no desenvolvimento do texto – chegamos a uma conclusão contrária ao texto. Como esse erro tende a ser mais facilmente reconhecido – por apresentar pensamentos opostos às ideias expressas pelos textos – os testes de interpretação muitas vezes são organizados com uma espécie de armadilha: uma alternativa apresenta muitas palavras do texto, apresenta até expressões inteiras do texto, mas com um sentido contrário. Um leitor desatento ou/e ansioso provavelmente escolherá essa alternativa, por ser a mais “parecida” com o texto. Por ser a que apresenta mais literalmente, mas “ao pé da letra”, elementos presentes no texto… 

Exemplo:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

Considere o fragmento acima, nele Camões só não afirma que:

1. O amor é abrasador                                                                                                                               2. O amor é alegria                                                                                                                                   3. O amor é sofrimento                                                                                                                            4. O amor é descontentamento

2. EXTRAPOLAÇÃO

Erro clássico que consiste em apontar ideias que não se encontram no texto e nem nos limites do contexto. O erro de extrapolação, como o próprio nome indica, acontece quando saímos do contexto, quando acrescentamos ideias que não estão presentes no texto. Ao extrapolar, vamos além dos limites do texto, viajamos além de suas margens, fazemos outras associações, evocamos outros elementos, criamos a partir do que foi lido, deflagramos nossa imaginação e nossa memória, abandonando o texto que era o nosso objeto de interpretação. 

A extrapolação é muitas vezes um exercício de criatividade inadequada – porque nos leva a perder o contexto que está em questão. Geralmente, o processo de extrapolação se realiza por associações evocativas, por relações analógicas: uma ideia lembra outra semelhante e viajamos para fora do texto. Outras vezes, a extrapolação acontece pela preocupação de se descobrir pressupostos das ideias do texto, pontos de partida bem anteriores ao pensamento expresso, ou, ainda, pela preocupação de se tirar conclusões decorrentes das ideias do texto, mas já pertencentes a outros contextos, a outros campos de discussão. 

Reconhecer os momentos de extrapolação – sejam analógicos ou lógicos – significa conquistar maior lucidez, maior capacidade de compreensão objetiva dos textos, do contexto que está em questão. Essa clareza é necessária e é criadora: significa, inclusive, uma liberdade maior de imaginação e de raciocínio, porque os voos para fora dos textos tornam-se conscientes, por opção, serão realizados por um projeto intencional, e não mais por incapacidade de reconhecer os limites de um texto colocado em questão, nem por incapacidade de distinguir as próprias ideias das ideias apresentadas por um texto lido. 

Exemplo:

“Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília, e a nossa amizade dá saudade no verão. Só que nessas férias não vão viajar porque o filhinho do Eduardo está de recuperação.”

De acordo com o fragmento podemos dizer que a ideia central é:

1. A corrupção explícita que impera no Distrito Federal.                                                                   2. O namoro de Eduardo e Mônica.                                                                                                        3. O impedimento em relação às férias da família                                                                        4. O retorno da família ao Brasil.

3. REDUÇÃO

Consiste em limitar o entendimento do texto, anulando algumas de suas partes, perdendo assim a noção de conjunto. Trata-se, pois, de outro erro clássico em exercícios de entendimento de texto, erro oposto à extrapolação, é o que chamamos de redução ou particularização indevida. Neste caso, ao invés de sairmos do contexto, ao invés de acrescentarmos outros elementos, fazemos o inverso: abordamos apenas uma parte, um detalhe, um aspecto do texto, dissociando-o do contexto.

A redução consiste em privilegiarmos um elemento (ou uma relação) que é verdadeiro, mas não é suficiente diante do conjunto, ou então que se torna falso porque passa a ser descontextualizado. Prendemo-nos, assim, a um aspecto menos relevante do conjunto, perdendo de vista os elementos e as relações principais, ou antes, quebramos este conjunto, fracionando inadvertidamente esse aspecto, isolando-o do contexto.

Reconhecer os processos de redução representa também um salto de qualidade em nossa capacidade de ler e entender textos, assim como em nossa capacidade de perceber e compreender conjuntos de qualquer tipo, reconhecendo seus elementos e suas relações. 

Exemplo:

“É preciso não esquecer o papel desempenhado pela televisão na humilhante classificação obtida pelo selecionado nacional na competição do Pisa. A TV universalizou-se no Brasil depois de 1964, exatamente quando em matéria de ensino passamos a buscar quantidades no lugar de qualidades. A escola pública passou a ter dois até três turnos. Este foi o grande feito do Milagre Brasileiro: melhorar as estatísticas. A qualquer preço.”

Alberto Dines – Jornal do Brasil

Levando em consideração a leitura do fragmento acima e seu caráter analítico, podemos definir como principal temática:                                                                                                              

1. O péssimo resultado que os alunos brasileiros de escolas públicas obtiveram no Pisa.                                                                                                                                                               2. A influência perniciosa que a TV exerce na formação intelectual do alunado brasileiro.           3. O péssimo resultado obtido pelas escolas particulares na competição nacional.                     4. As péssimas condições de ensino oferecidas à escola pública desde 1964.

SUGESTÕES PARA UMA MELHOR COMPREENSÃO TEXTUAL

Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de texto. Para isso, devemos observar o seguinte:

01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá até o fim, ininterruptamente;                                                                                                                                 
03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo menos umas três vezes;                                                                                                                                                          04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compreensão;
08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto correspondente;
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;                                          
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de …), não, correta, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se perguntou e o que se pediu;
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais exata ou a mais completa;                                                                                                                                                  
12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de lógica objetiva.

Por Hermeson Veras                                                                                                                                  Graduado em Letras Português, Inglês e suas respectivas Literaturas – FUNESO/UNESF               Especialista em Língua Portuguesa – UVA                                                                                                 Autor e Professor do Sistema de Ensino Farias Brito

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