Com pandemia, Ceará é o 2º estado que mais demitiu no Nordeste

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De janeiro a abril, foram 116.666 trabalhadores demitidos e 142.265 contratados no Estado, resultando em saldo negativo de 25.599 vagas de emprego formal.

crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus foi responsável pelo fechamento de 25.599 vagas de trabalho formal no Ceará de janeiro a abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Nos primeiros quatro meses do ano, foram 116.666 trabalhadores demitidos, enquanto 142.265 foram contratados. O Estado foi o segundo que mais demitiu na região Nordeste durante o período, atrás apenas da Bahia, que teve 55,6 mil vagas perdidas.

Somente em abril, foram 42.270 demissões e 12.400 admissões, resultando em saldo negativo de 29.870 vagas. Até 2019 com publicações mensais, o Caged ainda não havia sido publicado em 2020 até ontem. No acumulado do ano, o Ceará é o nono do País que mais demitiu e o oitavo com pior saldo de emprego. Entre os setores, a indústria foi quem mais fechou vagas, com menos 10.507 postos de trabalho. O comércio teve saldo negativo de 7.090; serviços de 4.170; e construção civil de 3.124.

O Caged também trouxe informações sobre informações sobre a quantidade de empregos que foram poupados por intermédio do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda, aprovado pela MP 936, que permitiu aos empregadores reduzir a jornada e salários dos empregados proporcionalmente ou suspensão de contrato. No Ceará, foram 277,8 mil enquadrados na medida. Mais de 8 milhões de pessoas tiveram jornada e salários reduzidos ou contratos suspensos.

De acordo com o economista e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef- Ce), Luis Eduardo Barros, o saldo negativo dos resultados nos estados estão diretamente ligados à Covid-19, que afetou todos os setores da economia no mundo todo.

“Antes da pandemia, a resistência foi até boa. O nível de desligamentos foi menor, e as novas admissões caíram muito. E devem continuar caindo nos próximos meses. Mesmo voltando, em parte, em junho, o efetivo dos profissionais não será integral”, analisa.

Para o coordenador de estudos e análise do mercado do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) do Ceará, Erle Mesquita, a crise expôs o problema histórico da alta rotatividade no mercado de trabalho. E como as admissões caíram de maneira histórica e as demissões dispararam, o saldo foi prejudicado. Para ele, o processo de retomada deve continuar lento, até que políticas públicas para o trabalho sejam tomadas.

“Já havia um quadro de alto desemprego. Será um processo doloroso que vai requerer políticas de investimentos, acesso ao crédito, consultorias, desonerações fiscais, que serão difíceis no atual momento. Temos um cenário bem adverso”, observa.

No resultado nacional, em abril, todos os setores registraram saldo negativo de empregos. O dado de fechamento de vagas de emprego formal em abril, com saldo negativo de 860.503, é o pior para todos os meses da série histórica.

O fechamento foi puxado pelo setor de serviços, com saldo negativo de 362.378 vagas. Em segundo lugar, veio comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, com -230.209 vagas. A indústria em geral foi responsável por um resultado negativo de 195.968 postos, e a construção perdeu 66.942 empregos.

Segundo o Caged, o salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada teve alta real em abril ante o mesmo mês de 2019, de R$ 1.496,92 para R$ 1.814,62. Por conta da pandemia, o titular da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, Bruno Dalcolmo, diz que o Governo não fará previsões para o saldo de emprego neste ano e nem para este mês de maio.

Enquanto a equipe econômica estuda medidas para estimular a contratação de pessoas, Dalcolmo destaca que a recuperação do emprego virá juntamente à recuperação econômica. “A demanda por trabalho deriva das condições econômicas, não tem jeito”.

Ainda foi anunciado que, “por ora”, não se pode pensar na prorrogação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. No programa, o governo federal paga o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm) a trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos em razão da pandemia, ou redução proporcional de jornada de trabalho e de salário.

 

Agência Estado

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