Grande Fortaleza, Cariri e Litoral Oeste concentram pobreza no CE

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Macrorregiões têm, juntas, mais da metade das famílias que sobrevivem com renda per capita de até R$ 89 por mês no Estado. Oito de 14 macrorregiões cearenses registraram crescimento da extrema pobreza.

A situação de extrema pobreza, que afeta famílias com renda familiar per capita de até R$ 89 por mês, ainda é um grande problema no Ceará em relação ao restante do País e concentra-se em regiões urbanas. Segundo dados do Cadastro Único para Programas Sociais, o CadÚnico, do Ministério da Cidadania, a Grande Fortaleza e as regiões do Cariri e do Litoral Oeste estão entre as que possuem o maior número de famílias vivendo na miséria – juntas, são 527,9 mil de 1,027 milhão.

O cálculo para a Grande Fortaleza (342,8 mil famílias em extrema pobreza) leva em conta dados de 19 municípios, incluindo a Capital cearense. Das cinco cidades em todo o Estado com as maiores populações em situação de extrema pobreza, três estão nessa macrorregião: a Capital, com 204,1 mil famílias; Caucaia, com 26,6 mil e Maracanaú, com 15,7 mil famílias.

No Cariri, segunda maior macrorregião em número de famílias na pobreza extrema, 124,1 mil integram a estatística. Completam a lista o Litoral Oeste (61 mil); Centro Sul (58,5 mil); Litoral Norte (57,1 mil) e Sertão Central, com 56,4 mil.

Das 14 macrorregiões analisadas pelo núcleo de dados do Sistema Verdes Mares, com base nos números do Cadastro Único, houve crescimento da extrema pobreza em oito delas. O maior crescimento foi observado na Grande Fortaleza (+9,72%), em comparação que considera junho de 2019 e igual mês de 2018. O segundo maior foi observado no Maciço de Baturité, com 4,11%. No Litoral Norte, a faixa ficou relativamente estável, com leve variação de 0,07%.

Em contrapartida, houve redução do número de famílias em situação de extrema pobreza no Vale do Jaguaribe, de 1,88% – a maior queda entre todas as macrorregiões pesquisadas. Em seguida, aparece o Cariri, com -1,59%.

9,72%
A macrorregião que reúne a Capital e Região Metropolitana apresentou o maior crescimento da população em situação de extrema pobreza no Estado, com um avanço de 9,72% em 12 meses até junho

Desemprego

Para o supervisor regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Reginaldo Aguiar, é impossível olhar para os números da extrema pobreza sem fazer uma relação com os altos níveis de desemprego. “Aqui no Ceará, os nossos dados de emprego são sustentados na informalidade, que é a porta de entrada da indigência”, avalia.

Ele detalha que a extrema pobreza nas regiões geograficamente próximas à capital cearense está ligada ao desenvolvimento industrial nessas localidades. “Como temos grandes indústrias nessas regiões, a população que não consegue emprego em outras partes do interior acabam sendo atraídas e nem todas são absorvidas. Acaba gerando bolsões de pobreza”.

O supervisor lembra ainda que muitas cidades cearenses apresentam um nível baixíssimo de emprego privado. “São as chamadas ‘terras arrasadas’. É esse habitante que vem em busca de emprego na Capital”, reforça. De acordo com os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, foram perdidos 6,3 mil vagas no mercado de trabalho formal no Estado durante o primeiro semestre. Nos últimos 12 meses até junho, entretanto, o saldo é positivo, com a criação de 4,6 mil empregos.

Soluções

Para Aguiar, a solução está nas políticas públicas e não na iniciativa privada que, de acordo com ele, “não tem tentáculos para resolver a situação, considerando a dinâmica da região Nordeste”. Na avaliação dele, apostar apenas nessa estratégia “não garante um desenvolvimento, porque à medida que é implantada uma indústria, habitantes de outras localidades são atraídos e não há como absorver”, reitera o supervisor.

O diretor geral do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), João Mário Santos de França, explica que a extrema pobreza nas cidades interioranas castiga fortemente o desenvolvimento dessas localidades. “O dinheiro que essas pessoas recebem é basicamente voltado para o consumo. Sem consumo, o comércio sofre”, detalha.

À frente da Secretaria de Proteção Social, Justiça, Mulheres e Direitos Humanos, Socorro França destaca que os Programas Cartão Mais Infância e Mais Nutrição representam as mais importantes ferramentas de distribuição de renda no interior sob o comando do Governo estadual. “Para nós, não interessa somente distribuir a renda, mas garantir o acompanhamento na escola e na saúde. É garantir a proteção social”.

Para a criação do Cartão Mais Infância, o Ipece detectou a existência de famílias em condições como a falta de saneamento e insegurança alimentar. Conforme o Instituto, o programa conta com 48 mil inscrições em todo o Ceará.

 

DN

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